terça-feira, 13 de abril de 2010

psicánalise

Importância do instinto sexual: Freud notou que na maioria dos pacientes que teve desde o início de sua prática clínica, os distúrbios e queixas de natureza hipocondríaca ou histérica estavam relacionados a sentimentos reprimidos com origem em experiências sexuais perturbadoras.

Assim ele formulou a hipótese de que a ansiedade que se manifestava através dos sintomas (neurose) era conseqüência da energia (libido) ligada à sexualidade; a energia reprimida tinha expressão nos vários sintomas neuróticos que serviam como um mecanismo de defesa psicológica. Essa força, o instinto sexual, não se apresentava consciente devido à "repressão" tornada também inconsciente.

A revelação da "repressão" inconsciente era obtida pelo método da livre associação (inspirado nos atos falhados ou sintomáticos, em substituição à hipnose) e pela interpretação dos sonhos (conteúdo manifesto e conteúdo latente). O processo sintomático e terapêutico compreendia: experiência emocional - recalque e esquecimento - neurose - análise pela livre associação - recordação - transferência - descarga emocional - cura.

Sonho: O sonho representa a realização disfarçada de um desejo que foi recalcado. Os sonhos são processos psíquicos coma função de compensar o desprazer. O sonho exerce duas funçãoes: 1) de manter o sono; e 2) de realizar um desejo. Sonhos e atos falhos são manifestações do inconsciente e tam´bem conscientes como o resto diruno.

Atos falhos ou sintomáticos: Os chamados Atos sintomáticos são para Freud evidência da força e individualismo do inconsciente: e sua manifestação é comum nas pessoas sadias. Mostram a luta do consciente com o subconsciente (conteúdo evocável) e o inconsciente (conteúdo não evocável). São os lapsus linguae, popularmente ditos "traição da memória", ou mesmo convicções enganosas e erros que podem ter conseqüências graves.

Primeira teoria do Aparelho psíquico ou Primeira topica: consciente, pré-consciente e inconsciente.

Consciente – inclui tudo aquilo de que estamos cientes num determinado momento. Recebe ao mesmo tempo informações do mundo exterior e do mundo interior. Pré-consciente – (ou sub-consciente) – se constitui nas memórias que podem se tornar acessíveis a qualquer momento, como por exemplo, o que você fez ontem, o teorema de Pitágoras, o seu endereço anterior, etc. É uma espécie de “depósito” de lembranças a disposição, quando necessárias.

Inconsciente – estão os elementos instintivos e material reprimido, inacessíveis à consciência e que podem vir à tona num sonho, num ato falho ou pelo método da associação livre. Os processos mentais inconsciente desempenham papel importante no funcionamento psicológico, na saúde mental e na determinação do comportamento Segunda teoria do aparelho psíquico ou segunda topica: ID, EGO, SUPEREGO.


Id – O id é a fonte da energia psíquica (libido). É de origem orgânica e hereditária. Apresenta a forma de instintos que impulsionam o organismo. Está relacionado a todos os impulsos não civilizados, de tipo animal, que o indivíduo experimenta.

. Não tolera tensão.

Se o nível de tensão é elevado, age no sentido de descarregá-la. É regido pelo princípio do prazer. Sua função e procurar o prazer e evitar o sofrimento. Localiza-se na zona inconsciente da mente. O Id não conhece a realidade objetiva, a "lei" ética e social, que nos prende perante a determinadas situações devido as conclusões da interpretação alheia. Por isso surge o Ego.

Ego – Significa “eu” em latim. E responsável pelo contato do psiquismo com o mundo objetivo da realidade. O Ego atua de acordo com o princípio da realidade. Estabelece o equilíbrio entre as reinvindicações do Id e as exigências do superego com as do mundo externo. É o componente psicológico da personalidade. As funções básicas do Ego são: a percepção, a memória, os sentimentos e os pensamentos. Localiza-se na zona consciente da mente.

Superego – Atua como censor do Ego. É o representante interno das normas e valores sociais que foram transmitidos pelos pais através do sistema de castigos e recompensas impostos à criança. São nossos conceitos do que é certo e do que é errado.

O Superego nos controla e nos pune (através do remorso, do sentimento de culpa) quando fazemos algo errado, e também nos recompensa (sentimos satisfação, orgulho) quando fazemos algo meritório.

O Superego procura inibir os impulsos do Id, uma vez que este não conhece a moralidade. É o componente social da personalidade.As principais funções do Superego são: inibir os impulsos do id (principalmente os de natureza agressiva e sexual) e lutar pela perfeição. Localiza-se consciente e pré-consciente.

Exemplo: Pelo Id o empregado deixaria de comparecer ao trabalho num belo dia ensolarado, dedicando-se a uma aprazível atividade de lazer: uma pescaria, um cinema, etc.

O Ego aconselharia prudência e buscaria uma oportunidade adequada para essas atividades. O Superego diria ser inaceitável faltar com um compromisso assumido, por exemplo, com o supervisor ou colegas de trabalho.

Os três sistemas da personalidade não devem ser considerados como fatores independentes que governam a personalidade. Cada um deles têm suas funções próprias, seus princípios, seus dinamismos, mas atuam um sobre o outro de forma tão estreita que é impossível separar os seus efeitos.

Motivação. Para explicar o comportamento Freud desenvolve a teoria da motivação sexual (sobrevivência da espécie) e do instinto de conservação (sobrevivência individual). Mas todas as suas colocações giram em torno do sexo. A força que orienta o comportamento estaria no inconsciente e seria o instinto sexual;

Fases do desenvolvimento sexual. Freud contribuiu com uma teoria das fases do desenvolvimento do indivíduo. Este passa por sucessivos tipos de caráter: oral, anal e genital. Pode sofrer regreção de um dos dois últimos a um ou outro dos dois anteriores, como pode sofrer fixação em qualquer das fases precoces.


Essas fases se desenvolverão entre os primeiros meses de vida e os 5 ou 6 anos de idade, e estão ligadas ao desenvolvimento do Id:

(1) Fase oral, ou fase da libido oral, ou hedonismo bucal, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer;

(2) Fase anal, ou fase da libido ou hedonismo anal, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente nas excreções e fezes. Brincar com massas e com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os objetos do prazer;

(3) Fase genital ou fase fálica, desejo e o prazer localizam-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes do corpo que excitam tais órgãos. Nessa fase, para os meninos, a mãe é o objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai.

Complexos de Édipo, isto é, o desejo incestuoso pela mãe, e uma rivalidade com o pai. Segundo ele, é esse o desejo fundamental que organiza a totalidade da vida psíquica e determina o sentido de nossas vidas.

Freud introduziu o conceito no seu Interpretação dos Sonos (1899). O termo deriva do herói grego Édipo que, sem saber, matou seu pai e se casou com sua mãe. Freud atribui o complexo de Édipo às crianças de idade entre 3 e 6 anos.

Ele disse que o estágio geralmente terminava quando a criança se identificava com o parente do mesmo sexo e reprimia seus instintos sexuais. Se o relacionamento prévio com os pais fosse relativamente amável e não traumático, e se a atitude parental não fosse excessivamente proibitiva nem excessivamente estimulante, o estagio seria ultrapassado harmoniosamente. Em presença do trauma, no entanto, ocorre uma neurose infantil que é um importante precursor de reações similares na vida adulta. Complexo de Eletra.

O equivalente feminino do Complexo de Édipo é o Complexo de Eletra, cuja lenda fundamental é a de Electra e seu irmão Orestes, filhos de Agamemnon e Clytemnestra. Eletra ajudou o irmão a matar sua mãe e o amante dela, um tema da tragédia grega abordado, com pequenas variações, por Sófocles, Eurípedes e Esquilo.

Narcisismo. Conta o mito que o jovem Narciso, belíssimo, nunca tinha visto sua própria imagem. Um dia, passeando por um bosque, encontrou um lago. Aproximou-se e viu nas águas um jovem de extraordinária beleza e pelo qual apaixonou-se perdidamente. Desejava que o jovem saísse das águas e viesse ao seu encontro, mas como ele parecia recusar-se a sair do lago, Narciso mergulhou nas águas, foi ás profundezas á procura do outro que fugia, morrendo afogado. Narciso morrera de amor por si mesmo, ou melhor, de amor por sua própria imagem ou pela auto-imagem. O narcisismo é o encantamento e a paixão que sentimos por nossa própria imagem ou por nós mesmos, porque não conseguimos diferenciar um do outro. Como crítica à humanidade em geral - que se pode vislumbrar em Freud - narcisismo é a bela imagem que os homens possuem de si mesmos, como seres ilusoriamente racionais e com a qual estiveram encantados durante séculos.

Mecanismos de defesa são constituídos por duas características:

1)Eles negam, falsificam ou distorcem a realidade; e

2) Atuam inconscientemente, de forma que a pessoa não tem consciência do que está ocorrendo.

Efeito

Os mecanismos de defesa também podem se dividir em: 1) Mecanimo de defesa bem sucedido, que gera um gasto de energia suficiente para se eleiminar a tensão daquilo que se rejeita; e mecanismo de defesa ineficaz, que gera um gasto de energia insuficiente para eliminar a tensão daquilo que se rejeita, então é preciso várias repetições do processo de rejeição para que não se torne tensão, assim perpetuando as ações defensivas das pessoas. Se a defesa for eficiente raramente haverá uma neurose.

Negação: "Este problema não é meu!" "Isto não acontece comigo!" Mesmo que evidente, o adolescente não percebe o que está acontecendo e funciona cegamente em relação a este mecanismo. Quando um paciente recebe a informação de que ele é soropositivo para o HIV, poderá entrar na fase da negação dizendo o seguinte: "Dr, esse exame que o senhor fez não é meu" ou "Esse exame está enganado, eu não tenho”


Racionalização: "Estou assim pelas dificuldades financeiras." "Não dá, está difícil"."cheguei atrasado por conta do pneu ter furado! As razões estão em função das suas justificativas para a manutenção do problema. Nesse mecanismo de defesa, a inteligência é super utilizada para tornar plausível a desculpa encontrada" Intelectualização: "Eu sei, eu já li tudo isso! Não é bem assim, tem muita discussão nova!"

Projeção: "Estou assim por causa de minha família." "Qual é? Eu não tenho ninguém!", Aqui, vemos os seus conflitos e reflexões sendo colocados nos outros. Outro exemplo de projeção é quando a pessoa fala: "todo mundo só pensa naquilo", na verdade ela vê nos outros caracteristicas, sentimentos ou idéias dela. Pesquisas recentes comprovam que pessoas que são homofóbicas possuem certas caracteristicas homossexuais mas não reconhecem ou não aceitam, sendo assim, elas fazem uma projeção.

Sublimação: é o processo de deslocamento que os indivíduos utilizam para desviar idéias que os perturbam. Caracteriza-se por apresentar uma inibição do objeto e uma dessexualização. É responsável pela civilização já que é resultante de pulsões subjacentes que encontram vias aceitáveis para o que é reprimido.

Introjecção: Mecanismo de defesa quase que oposto à projeção. Trata-se de aceitar os conteúdos proejetados como se fossem verdade do ego. Tudo que agrada é introjetado. Percebendo este fato, o ego aprende a usar a introjeção para fins hostis como executora de impulsos destrutivos e também como modelo de um mecanismo definido de defesa. Na depressão, pode-se notar o quanto a pessoa faz e fez uso da introjeção.


Identificação: É o processo psíquico por meio do qual um indivíduo assimila um aspecto, uma característica de outro, e se transforma, total ou parcialmente, apresentando-se conforme o modelo desse outro.

Formação Reativa: consiste em ostentar um procedimento e externar sentimentos opostos aos impulsos verdadeiros, quando estes são inconfessáveis. Uma reação contra ele próprio. Processo psíquico, por meio do qual um impulso indesejável é mantido inconsciente, por conta de uma forte adesão ao seu contrário. Exemplo: ser super bem tratado na casa da namorada pela mãe dela, mas sentir que a futura "sogra" detestou a visita.

Isolamento: consiste em isolar um comportamento ou um pensamento de tal maneira que as suas ligações com os outros pensamentos, ou com o auto-conhecimento, ficam absolutamente interrompidas. Uma supressão da possibilidade de contato, um meio de subtrrair uma coisa ao contato. Ruptura das conexões associativas de um pensamento ou de uma ação, especialmente com o que os precede e os segue no tempo. Anulação: ações que contestam ou desfazem um dano que o indivíduo imagina que pode ser causado por seus desejos.

Deslocamento: consiste em transferir as características ou atributos de um determinado objeto para outro objeto. Exemplo 1: receber uma bronca do chefe e, assim que chegar em casa, chutar o cachorro como se ele fosse o responsável pela frustração. Idealização: consiste em atribuir a outro indivíduo qualidades de perfeição, vendo o outro de modo ideal.

Conversão: consiste em uma transposição de um conflito psíquico e uma tentativa de resolução desse conflito por meio de expressões somáticas.


Regressão: é o retorno do indivíduo a níveis anteriores do desenvolvimento sempre que se depara com uma frustração. uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento. Por exemplo o choro das pessoas em certas situações pode ser uma regressão a infância que pode ter tido aquela situação em que o choro "resolveu" o "problema" então a pessoa inconscientemente usa aquele mesmo "método" para "resolver" aquela situação.

Repressão: que é afastar ou recalcar da consciência um afeto, uma idéia ou apelo do instinto. Um acontecimento que por algum motivo envergonha uma pessoa pode ser completamente esquecido e se tornar não evocável. operação psíquica que pretende fazer desaparecer, da consciência, impulsos ameaçadores, sentimentos, desejos, ou seja, conteúdos desagradáveis, ou inoportunos.

Substituição: o inconsciente oferece a consciência um substituto aceitável por ela e por meio do qual ela pode satisfazer o Id ou o Superego. É a satisfação imaginária do desejo. Processo pelo qual um objeto valorizado emocionalmente, mas que não pode ser possuído, é inconscientemente substituído por outro, que geralmente se assemelha ao proibido. É uma forma de deslocamento. Um exemplo é o bebê chupar o dedo ou a chupeta para sentir o prazer como se estivesse no seio da mãe.

Fantasia: é um processo psíquico em que o indivíduo concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que não pode ser, na vida real, satisfeito. Exemplo: Um homossexual que precisa manter o casamento e que, quando procurado pela esposa para o sexo, ele fantasia que está tendo relações homo e não hétero durante o ato. Fantasiar pode ajudar em certos conflitos psicológicos mas não "resolve" o conflito, certas pessoas podem passar a vida inteira fantasiando mas quando caem na realidade volta todo o conflito novamente.

Compensação: é o processo psíquico em que o indivíduo se compensa por alguma deficiência, pela imagem que tem de si próprio, por meio de um outro aspecto que o caracterize, que ele, então, passa a considerar como um trunfo.

Expiação: é o processo psíquico em que o indivíduo quer pagar pelo seu erro imediatamente. Resistências: é o processo de resistências ao trabalho terapêutico,no qual o paciente tenta manter no inconsciente os acontecimentos esquecidos.

Transferência: representa o motor da cura e pode ser vista como, a repetição, face ao analista, de atitudes emocionais, inconscientes, amigáveis, hostis ou ambivalentes, que o paciente estabeleceu na sua infância no contacto com os pais e com as pessoas que o rodeiam. Um exemplo pode ser a menina que não teve pai é muito apegada ao namorado fazendo então uma tranferência passando todo os sentimentos e ações para o namorado como se fosse um pai.

Contratransferência: trata-se de uma resposta do analista à transferência do paciente mas que designa também, de forma mais geral, o conjunto das reacções inconscientes do analista perante o paciente.

Recalque Exclusão de idéias, sentimentos e desejos que o indivíduo não quisera admitir e que no entanto continua a fazer parte da vida psíquica. Certos traumas e conflitos não resolvidos são recalcados e se não forem resolvidos podem se tornarem em neurose, psicose, psiconeurose, doenças psicossomaticas.

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